sábado, 19 de abril de 2014

Os Serranos - Os 18 do Ambrosio


Agora vou contar a historia de um índio velho lá da minha
terra, que ta com 87 janeiro, nome Ambrósio, apelido lobisomem
só saia de noite e o Ambrósio velho naquele tempo fazia proezas
que muito guri de hoje não faz, qué vê? (declamado)

Nos tempos do velho Ambrósio tinha graspa e canha pura
Pra levantar a pressão, amendoim e rapadura
Mocotó e reza braba, chá de arruda e benzedura

(Que saudade dos dezoito, onde a força não faltava
O que viesse pela frente, o Ambrósio atropelava)

Isto era naquele tempo, é naquele tempo o Ambrósio velho
tinha um caminhão sem freio, atropelava tudo que vinha pela
frente e hoje, hoje coitado não atropela quase nada, tomara
não morre atropelado coma essas vaca perigosa (declamado)

O Ambrósio levantava só pra dançar o bugio,
E a véinha gomitava, ai, tá me dando um arrepio
Te acomoda minha veia, que isso só pode ser frio

(Que saudade dos dezoito, onde a força não faltava
O que viesse pela frente, o Ambrósio agasaiava)

Isto era naquele tempo, é naquele tempo o peito do Ambrósio
chiava que era uma lareira, agasaiava tudo quanto era
mocinha com frio, e hoje, hoje o peito continua chiando
só que de asma, bronquite, alias, é o único que tá
congelado (declamado)

O Ambrósio só dançava, corcoveando a noite inteira
De gastar a sola das bota no bugio ou na vaneira
Hoje ele só treme as pernas quando ataca tossedeira

(Que saudade dos dezoito, onde a força não faltava
O que viesse pela frente, o Ambrósio espetava)

Isto era em 1800 e antigamente, é naquele tempo o Ambrósio
tinha fome, comia bastante, hoje, o Ambrósio nem fome tem mais,
alias ta com o espeto véio que é pura ferrugem (declamado)


Pelas quatro da manhã o baile bem animado
E o Ambrósio tava mal, e dizia apavorado
É bobagem minha veia, não aguento tô terminado

(Que saudade dos dezoito, onde a força não faltava
O que viesse pela frente, o Ambrósio matava)